Ciranda Infantil é espaço de cultura e formação para as crianças na Jornada

Iniciativa que surgiu no MST, hoje faz parte das Jornadas de Agroecologia e é o espaço da criançada dentro da programação

Por Priscila Ernst

A Jornada de Agroecologia envolve todas as gerações em uma só caminhada, são diferentes idades que sempre trazem algo para enriquecer o evento. Os jovens com seu espírito revolucionário, os adultos com a troca de experiências, os idosos com a sabedoria ímpar e as crianças com a alegria que encanta e dá leveza aos quatro dias do evento.

Pensando nestes sorrisos de criança e na participação dos pais delas nos espaços políticos é que a Ciranda Infantil se torna atividade importante dentro da conjuntura da Jornada. A iniciativa surgiu no MST em 1987, durante o 1º Encontro Nacional de Educadores/as da Reforma Agrária (ENERA) com a função de possibilitar a participação dos pais e especialmente das mães nos espaços políticos do movimento. De lá pra cá a proposta pedagógica do MST amadureceu e focou na formação de crianças.

Foto: Isabella Lanave

Foto: Isabella Lanave

Desde as primeiras articulações para a 14° Jornada de Agroecologia a Ciranda já foi incluída na programação. As atividades foram organizadas na Escola Municipal Camacuã Eduardo Laars, que fica próxima ao Centro de Tradições Willy Laars e ocorrerá durante todo o evento, das 8h às 17h.

No primeiro dia mais de 70 crianças foram inscritas, sendo algumas do Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Porto Alegre, mas a maioria é do Paraná. Além delas, as crianças que já estudam na Escola Camacuã também participaram. A diretora desta escola, Clair Chaicouski, explica que esta é a primeira vez que a instituição faz uma parceria com a Ciranda Infantil. “A troca de experiências entre professores e crianças está sendo muito rica. Os alunos estão quebrando a rotina e conhecendo mais sobre esta iniciativa”, conta Clair.

Foto: Isabella Lanave

Foto: Isabella Lanave

Emanuela Pereira de Oliveira, uma sem terrinha de 6 anos, conta que gosta da Ciranda porque brinca, aprende muitas coisas e faz novos amigos. “Já participei de outras Cirandas nas Jornadas de Maringá e Londrina, é muito legal”. As crianças foram divididas em grupos por idade, dos 2 aos 3 anos, dos 3 aos 4, e dos 5 aos 6 anos.

Segundo Everaldo Matias Lopes, responsável pela Frente de Educação Infantil no Paraná, as atividades são diversas como: historinhas, vídeos infantis, exercícios para a coordenação motora, ginástica, dança, cantigas de roda, músicas, desenhos, pinturas, teatros e intervenções artísticas.

Everaldo destaca a importância de inserir as crianças na programação, levando o conhecimento dos movimentos através de atividades lúdicas e culturais. “A Ciranda é uma experiência valiosa para estas crianças, pois elas crescem na vivência dos movimentos e as atividades ajudam no dia a dia e na formação de conhecimento”, conta.

Para que a Ciranda Infantil atendesse a grande demanda de atividades foi preciso que muitas pessoas ajudassem. Todos são colaboradores designados do MST, acadêmicos da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e professores da rede municipal de ensino de Irati.

Foto: Isabella Lanave

Foto: Isabella Lanave

Neide Martim, uma das professoras colaboradoras do MST, tem uma bonita história de participação na Ciranda Infantil. “Meus pais eram acampados, e hoje estão assentados. Eu tinha 4 anos na época. Cresci neste contexto de participação com o MST. Estudei na Escola do Campo Iraci Salete Strozak, que fica dentro de um assentamento em Rio Bonito do Iguaçu/PR. Esta escola sempre manteve vínculos com os movimentos sociais, o que fez muita diferença no meu período de estudo lá”, explica.

Hoje, Neide é acadêmica de Ciências Sociais na UFFS, mas continua trabalhando com educação infantil e com a Ciranda dentro do Movimento. “Minha família passou por muitas dificuldades, mas agora vejo o quanto foi importante terem lutado dentro do movimento. Eu acredito em um novo tipo de sociedade, uma sociedade melhor. E sei que o MST pode contribuir muito para isso. A Ciranda Infantil é um exemplo disso”, salienta a professora.



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