Movimentos do campo e da cidade abraçam construção da 14ª Jornada

Por Fernanda Targa

Movimentos sociais nacionais e da América Latina marcam presença nesta 14ª edição da Jornada de Agroecologia. Nos últimos anos, o evento vinha sendo organizado pela Via Campesina e MST, em 2015, outros movimentos do campo e da cidade abraçaram a construção deste espaço de luta por um projeto popular e soberano de alimentação.

Os encontros anuais que vem se consolidando há mais de uma década como espaços de mobilização e formação, extrapolam os limites do campo. Une nesses 4 dias, juventude e trabalhadores rurais e urbanos. São pelo menos dez movimentos sociais envolvidos, entre eles Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Comunidades Quilombolas do Paraná, Instituto Agroecológico Latino Americano, Comunidades Tradicionais Faxinalenses, Levante Popular da Juventude e Movimento por Moradia (MpM).

A presença de movimentos urbanos, demarca a importância e necessidade do debate da Agroecologia para além das zonas rurais. “Com a participação dos movimentos urbanos é possível a união dos saberes populares com os científicos”, afirma Diego Moreira, coordenador nacional do MST.

Foto: Leandro Taques

Foto: Leandro Taques

Para a militante do movimento urbano Levante Popular da Juventude, Giovana Fogaça, a Agroecologia deve ser uma pauta para toda a sociedade, “costumamos tratar dessa alternativa para a soberania alimentar apenas nos espaços do campo e esquecemos que ela faz parte de um projeto popular para toda a sociedade. O agronegócio, instrumento do capitalismo, não afeta só os camponeses. Por isso, o Levante se empenha em além de estar presente na jornada, construí-la”.

O paraguaio Angel Enciso, do IALA Guarani destaca a importância de um espaço como esse possibilitar a troca de experiências com os países latino-americanos. “Em uma das edições da jornada aprofundamos nossos conhecimentos sobre o processamento de matéria-prima, que antes era pouco desenvolvido pelas comunidades camponesas paraguaias. Hoje elas já são capazes de desenvolver seu próprio processamento e comercializar seus produtos nas feiras regionais” salienta o militante. O movimento paraguaio Yala Guarani participa pela terceira vez da jornada.

O evento, que teve sua primeira edição em 2002, surgiu com um caráter de denúncia ao agronegócio e de mobilização massiva no sentido da produção agroecológica. Em 2015, a jornada já se internacionalizou e conta com a participação de diversos países da América latina.



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