Seminários Temáticos debatem questões estratégicas para a Agroecologia

Por Natália Souza

Educação do Campo, Agrobiodiversidade e Combate aos Agrotóxicos. Foram essas as três temáticas que movimentaram os debates dos seminários realizados entre os dias 23 e 24 de julho, durante a 14º Jornada de Agroecologia que acontece até amanhã (25), em Irati (PR). Os seminários são espaços de formação e aprofundamento político de questões centrais para a construção da Reforma Agrária Popular.

Além do Seminário de Agrobiodiversidade, realizado no espaço da plenária do Centro de Tradições Willy Laars, a Educação do Campo e o Combate aos Agrotóxicos foram temas que ocuparam outros espaços da cidade, sendo realizados, respectivamente, no campus da Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), em Riozinho, e na Câmara dos Vereadores de Irati, no centro.

Territórios Livres de Agrotóxicos e Transgênicos

“O que estamos comendo? Não é apenas contra os venenos que estamos lutando. É contra um modelo de produção que nos impede de saber de onde vem e de que forma são produzidos os alimentos. Grande parte da população ainda desconhece os males dos agrotóxicos”. Esse foi o tom dos debates no seminário articulado pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Desde 2008, o Brasil ocupa a vergonhosa posição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Neste contexto, apesar dos avanços com as políticas públicas para a agroecologia, não são poucas as derrotas acumuladas pelos movimentos sociais na garantia de mecanismos que reduzam efetivamente o uso dos venenos no país.

Na troca de experiências, construídas para o enfrentamento da problemática no Paraná, representantes do Fórum Estadual de Combate aos Agrotóxicos e do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Paraná (UFPR), expuseram os avanços e perspectivas do comitê no estado.

A incidência no legislativo municipal, a ampliação das estratégias de comunicação e diálogo com a sociedade, a qualificação dos sistemas de registros e denúncias dos casos de intoxicação, além de outras iniciativas, foram propostas que circularam no debate que reuniu camponeses, estudantes, profissionais da área da saúde e educadores de diferentes regiões do estado e de outras delegações. Os comitês locais e regionais, espalhadas pelos quatro cantos do país, dão vida a Campanha que segue com suas bandeiras de luta.

Foto: Leandro Taques

Foto: Leandro Taques

“Não vou sair do campo pra poder ir pra escola”

A educadora Cecília Maria Ghedini, do campus da Unioeste de Francisco Beltrão, coordenou a mesa dialogada que tratou dos desafios da educação do campo na atual conjuntura. A partir da apresentação das matrizes pedagógicas que constroem a educação do campo, as experiências mobilizadas pela Articulação Paranaense de Educação do Campo, buscaram apontar e debater as principais ameaças que o campo vem sofrendo com a mercantilização da educação.

Para Alex Verdelho, coordenador do setor de educação do MST, o seminário busca “ao mesmo tempo identificar os inimigos e a inserção do agronegócio na educação do campo que, aqui no Paraná, se expressa através do ‘Agrinho’, como principal ameaça”, aponta Verdelho, reforçando que o seminário propõe uma reflexão crítica desse processo.

O fechamento das escolas no campo, a fragilidade dos materiais didáticos e as diversas formas de violência com os educadores do Paraná vem sofrendo também foram assuntos debatidos no seminário que contou ainda com a presença da Secretaria de Educação de Irati, Claudia Zanlorenzi.

Rede de Agrobiodiversidade

Como avançar no fortalecimento da agroecologia a partir do uso sustentado da agrobiodiversidade? Para os participantes do seminário que reuniu representantes da Terra de Direitos, da Embrapa Soja, da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia do Paraná (Aopa) e do Coletivo de Agricultores/as de São João do Triunfo, a resposta à esta pergunta vem do trabalho em rede.

Prosseguindo com as articulações das cooperativas, associações, grupos e movimentos sociais populares do Paraná que desenvolvem trabalhos de uso e conservação de sementes, espécies e raças crioulas, o Seminário de Agrobiodiversidade – coordenado pelo setor de produção do Paraná – trouxe para o centro do debate as experiências de produção e comercialização agroecológica tendo como destaque os arranjos que garantem o acesso aos bancos comunitários e às variedades desenvolvidas pelas instituições públicas de pesquisa.

Essa é a segunda atividade do grupo que iniciou, em maio de 2015, a identificação, cadastro e articulação de experiências relacionadas ao uso da agrobiodiversidade no estado do Paraná. A superação dos limites impostos pela legislação, ambiental, biológica e sanitária, além das políticas públicas, como a recente modalidade do Programa de Aquisição de Alimentos destinado à compra de sementes da agricultura camponesa, o PAA Sementes.

Diálogos e Desafios

Os seminários da 14º Jornada traduzem os desafios que a atual conjuntura coloca à construção da agroecologia. A garantia de políticas públicas, o fortalecimento da identidade camponesa, o direto à alimentação e a luta contra o agronegócio foram temas que perpassaram os três espaços e que apontaram ações convergentes na construção da Reforma Agrária Popular. As propostas construídas em cada um dos seminários serão encaminhadas para elaboração da carta política da Jornada que, com o Ato Político, previsto para a manhã do sábado (25), encerra suas atividades.



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