17ª Jornada de Agroecologia acontece de 6 a 9 de junho, no Centro de Curitiba

 

Oficina prática – Foto – Eduardo Vernizi


Notícia publicada no Paraná Portal, em 

De 6 a 9 de junho, o Centro de Curitiba recebe a 17ª Jornada de Agroecologia. A programação do evento reúne cerca de 80 atividades, desde ações contínuas como uma feira e uma exposição sobre a história da agricultura, a conferências, shows, oficinas e seminários. Como objetivo central, a atividade busca promover e difundir a agroecologia, modelo de agricultura que tem como principal marca a não utiliza agrotóxicos ou transgênicos.

A Jornada está entre os maiores eventos de agroecologia do Brasil e chega pela primeira vez na capital do estado. O evento é organizado por mais de 40 movimentos e entidades do Paraná, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a UFPR e a UTFPR, além de entidades como a organização Terra de Direitos e o Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria).

A conferência de abertura será no teatro Guaíra, às 19h do dia 6, com presença confirmada do teólogo Leonardo Boff e da artista Letícia Sabatella. Os seminários e conferências vão tratar de temas como as consequências do uso de agrotóxicos à saúde humana e à natureza, educação no campo e a participação das mulheres na agroecologia. A conjuntura atual do Brasil também será tema de debate.

Entre os palestrantes confirmados estão Larissa Bombardi, professora doutora no Programa de Pós Graduação em Geografia Humana da Universidade de São Paulo (USP); Vera Karam de Chueiri, diretora da Faculdade de Direito da UFPR; Darci Frigo, vice-presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos; Patrícia Jaime, professora do Departamento de Nutrição da Faculdade Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP); Pastora Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil; e João Pedro Stédile, integrante da coordenação nacional do MST e da Frente Brasil Popular.

A programação completa está disponível aqui.

Oficinas

Ao todo, 25 oficinas práticas serão realizadas no dia 7, quinta-feira. As atividades vão ocorrer no Centro e em bairros de Curitiba, e também nos municípios de Mandirituba, Pinhais e Lapa. As formações são realizadas com participação do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), da Sanepar, entre outras entidades.

As vagas são limitadas e as inscrições serão abertas a partir das 9 horas do dia 6, no saguão do Teatro da Reitoria, inclusive para participantes não vinculados a delegações. Integrantes de delegações farão as inscrições previamente.

A relação de oficinas está disponível aqui: http://www.jornadaagroecologia.com.br/?p=4682

Feira da reforma agrária

Cerca de 60 expositores são esperados na Feira, que ocupará a Praça Santos Andrade com produtos da reforma agrária, da agricultura familiar e da economia solidária. Junto à feira, haverá espaço para a “Culinária da Terra”, com barracas de pratos típicos da região sul do Brasil. A feira e o espaço serão abertos às 16 horas do dia 6.

O horário de funcionamento será das 8 às 20 horas. No dia 6, o encerramento da feira e do espaço será também às 20 horas.

Exposição sobre a história da agricultura

O Pátio da Reitoria vai receber o “Túnel do tempo“, uma exposição em que estudantes do ensino fundamental e médio, vindos de assentamentos e acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), vão apresentar a história da agricultura, até chegar ao momento atual e à agroecologia. Cerca de 80 pessoas estarão envolvidas na atividade. A exposição está organizada em oito fases, com previsão de tempo médio de visitação de 30 minutos.

O que é agroecologia?

A agroecologia é um tipo de agricultura que tem como princípios a humanização e o caráter popular, por ser mais acessível e respeitar o conhecimento tradicional, agregando outros conceitos e tecnologias, conforme explica Ceres Hadich, integrante da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“É mais do que substituição de insumo ou de técnica, é parte de uma postura perante a vida. Para além da produção de alimentos saudáveis, queremos produzir outra forma de vida”, afirma. E reforça o aspecto do respeito à natureza, aos recursos naturais e aos seres humanos, com o olhar para as gerações atuais e futuras.

De acordo com Ceres Hadich, as Jornadas são “grandes escolas populares” para agricultores e para a sociedade em geral, com o objetivo de multiplicar a agroecologia como modelo alternativo à monocultura e ao uso de agrotóxicos.

Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo

A contaminação dos alimentos por agrotóxicos é uma realidade confirmada por um Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), divulgado em 2015. Segundo a pesquisa, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos, e 28% desses alimentos contém substâncias não autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os impactos do consumo cotidiano de alimentos contaminados ainda não são mensurados de maneira completa, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que os agrotóxicos causam 70 mil intoxicações agudas e crônicas por ano.

O Paraná é conhecido como estado forte no agronegócio, fato que o coloca na posição de terceiro maior consumidor de agrotóxicos do país. A cada ano, cerca de 96,1 milhões de quilos de agrotóxicos são utilizados no estado, de acordo com dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), de 2013. De todo o estado, a região de Cascavel é a que mais consome veneno na agricultura.

Serviço:
17ª Jornada de Agroecologia
Data: de 6 a 9 de junho
Local: Reitoria e Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Praça Santos Andrade, no Centro da capital.


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