Oficina debate saúde da trabalhadora e do trabalhador do campo

Os debates voltaram-se às dificuldades sobre a saúde e os caminhos construídos pela agricultura familiar

 

Por Letícia Stasiak, Colaboradora da Jornada de Agroecologia

Na manhã dessa sexta-feira (8), terceiro dia da 17ª Jornada de Agroecologia, assentadas e assentados do coletivo de saúde do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), representantes do Observatório do Uso de Agrotóxicos e Consequências para a Saúde Humana e Ambiental do Paraná, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), profissionais da área da saúde e estudantes realizaram oficina sobre a saúde da trabalhadora e do trabalhador do campo.

Assentados e assentadas expuseram as condições de saúde e a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) no campo e o que precisa ser feito para melhorá-lo. Os demais participantes da oficina também somaram-se ao debate, fizeram indagações e colocaram pontos de vista na busca de encontrar soluções para as dificuldades enfrentadas.

Segundo Sirlei de Fátima Moraes, representante do coletivo de saúde do MST, a situação da saúde do campo passa por muitas dificuldades e a principal delas é a falta de políticas públicas voltadas aos trabalhadores e trabalhadoras rurais. “O que queremos é o direito à saúde, o direito de viver bem, não apenas uma unidade de saúde dentro do assentamento”, disse.

Foto: Letícia Stasiak

Os retrocessos e a diminuição de recursos das políticas públicas voltadas ao meio rural, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar, afetam diretamente a saúde do pequeno produtor, que tem a produção de alimentos como fonte de renda. “Não conseguir produzir, distribuir seu alimento e ganhar algo no fim do mês também é saúde, as pessoas ficam doentes porque não conseguem dinheiro para sustentar sua família”, afirmou Maria Isabel Grein, representante do MST.

Cuidado com a saúde

Maria Inatividade de Lima, assentada no município da Lapa, no Paraná, vê com preocupação a facilidade em conseguir remédios e tomá-los e diz que há uma falta de consciência sobre as doenças e que isso, inclusive, prejudica a luta pela melhoria do sistema de saúde. “O sistema está tirando a forma de pensar do cidadão, por isso é preciso conscientizar as pessoas a se cuidarem, seja pela medicina alternativa de chás e ervas ou pelo atendimento convencional”.

Foto: Letícia Stasiak

Propostas da oficina

Durante a conversa, que durou toda a manhã, foram identificadas algumas ações às melhorias da saúde no campo, como a união de setores da saúde pública com os pequenos produtores, a fim de trocarem experiências e também compartilhá-las aos conselheiros de saúde, e o fomento e criação de espaços que busquem estratégias em comum e auxiliem o coletivo de saúde do MST. “Temos a perspectiva que o SUS melhore e beneficie principalmente a população mais pobre, porque tentamos evitar ao máximo as doenças, mas tem casos em que o atendimento é inevitável. Por isso, só pedimos que olhem um pouco mais para a gente”, disse a assentada Tereza Arcange de Oliveira Camargo, do município de Centenário do Sul, no Paraná.


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