Agroecologia contra fome: modelo sustentável pode ser a saída para crise 

Em lugar de exportar para ganhar muito dinheiro, produtores familiares põem comida na mesa do brasileiro

Por Gabriel Carriconde, do Brasil de Fato Paraná

Mesmo em plena pandemia, com brasileiros passando fome, a exportação de soja, milho e carne fez o agronegócio brasileiro alcançar grandes margens de lucro, movimentando 102 bilhões de dólares. No início deste ano, as exportações cresceram 25%, atingindo 19 bilhões de dólares, apenas em janeiro. Com o dólar alto, o agronegócio brasileiro foi ao paraíso.

Se para essa pequena parcela da população brasileira o ambiente foi positivo, para mais da metade da população a situação foi de desemprego, queda na renda, volta da fome. Foram mais de 100 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar em 2021. Dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, da Rede Penssan, mostram que das 116,8 milhões de pessoas em insegurança alimentar, 43,4 milhões não tinham comida suficiente e 19 milhões estavam passando fome.

O Brasil, que tinha em 2014 saído do “Mapa da Fome” voltou a figurar na lista. Apesar da situação dramática, foi a agroecologia e a agricultura familiar, mesmo com cenário de alta de preços, que conseguiu colocar comida na mesa dos brasileiros. “A agroecologia se apresenta, nesse contexto de pandemia, como a estratégia possível de enfrentamento à fome porque ela traz o olhar a partir de um passo atrás ao ato de se alimentar”, descreve Islândia Bezerra, presidenta da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). “O passo da produção de alimentos que enfatiza a natureza como sujeita de direitos”, resume.

Nesse contexto de desemprego crescente e fome, iniciativas de solidariedade se espalharam pelo país. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, está com a campanha permanente de solidariedade, que já doou 882 toneladas de alimentos só no Paraná. Além das doações quase mensais de cestas de alimentos, o movimento, através da ação “Marmitas da Terra”, entregou 100 mil refeições à população de rua, comunidades e ocupações urbanas de Curitiba e Região Metropolitana em 19 meses.

Adriana Oliveira, integrante do MST, é coordenadora do Marmitas da Terra fala da importância das ações de solidariedade e dos mutirões de plantio e colheita. “Nós temos um projeto de vida que produz respeitando todas as esferas de produção, na relação com a natureza e com as pessoas, enxergando quem recebe o alimento como pessoa, e não como caridade”, disse em entrevista ao site do MST.

Culinária da Terra

A 19ª Jornada de Agroecologia terá a Culinária da Terra, com muitas comidas deliciosas para experimentar. Estão confirmadas comidas típicas do sul para todos os gostos. Imagine comer canjica, caldo de inverno ou um pirão de galinha caipira no frio curitibano?

Durante a Jornada você vai encontrar comidas típicas como vaca atolada, frango com polenta e palmito, porco no tacho, comidinhas de festa junina e muito mais. Como aperitivo vai uma receita:

Polenta com frango caipira e palmito

Foto: Reprodução

1 kg de fubá orgânico moído na pedra

2 kg de frango ou galinha caipira

500 gramas de palmito da pupunha cortado em cubos

1 dente de alho picado

1 cebola grande picada

2 tomates cortados em cubo

sal a gosto

Açafrão da terra à gosto

Salsinha e cebolinha picadas a gosto

Modo de preparo:

Pegue uma panela coloque óleo e o frango, deixe fritar bem. Quando o frango estiver pronto adicione sal, alho, cebola, açafrão, palmito e tomate e deixe todos os ingredientes refogar bem e soltar sabor formando um caldo. Em outra panela, adicione água e sal e deixe esquentar, vá colocando o fubá aos poucos, sempre mexendo até ele virar uma pasta cremosa, Para finalizar o frango, coloque por cima a salsinha e a cebolinha picadas. Depois é só preparar o prato e se deliciar

Receita de Dona Geni, da coordenação do MST PR, agricultora e moradora do assentamento Valmir Motta de Oliveira, na região Oeste do Paraná, em Cascavel.

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