Livro resgata trajetória das Jornadas de Agroecologia no Paraná

Por Rita Hilachuk 

Agroecologia é uma palavra que envolve natureza, agricultura e sustentabilidade. Na Jornada de Agroecologia, em Curitiba, a palavra torna-se ação e significa também transmissão de conhecimento. Esse conjunto de práticas e valores  proporcionou o lançamento do livro “Agroecologia e Reforma Agrária Popular”, lançado oficialmente no dia 23,  na Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Campus Rebouças, durante a 19ª Jornada de Agroecologia.

Construído a muitas mãos, o livro trata de temas que compuseram as jornadas de agroecologia, realizadas desde 2002 em diferentes lugares do Paraná. “Temos como saldo das Jornadas de Agroecologia, além da reflexão sobre o tema, a visão de que tipo de projeto agroecológico está sendo construído e emergindo aqui”, ressalta o professor e organizador do livro Alfio Brandenburg.

Alfio Brandenburg, organizador do livro. Foto: Juliana Barbosa.

A cada ano, de maneira itinerante, a Jornada de Agroecologia reúne cerca de 4 mil pessoas para contribuir na produção de alimentos mais saudáveis e agroecológicos, associados a uma reforma agrária popular. Nas atividades, além de oficinas práticas, são realizados debates, atividades culturais, e comercialização de produtos agroecológicos. Fruto de uma articulação de uma série de movimentos populares do campo e de organizações sociais, a atividade já passou por cidades como Ponta Grossa, Cascavel, Francisco Beltrão, Irati e Lapa. Esta é a terceira vez que o evento é realizado em Curitiba.

Registro histórico

Os capítulos reúnem temas como a forma de organização, a formação estratégica, as místicas, o trabalho das mulheres camponesas e da juventude, escritos por acadêmicos, entre eles integrantes de movimentos sociais. “Foi muito interessante a gente reviver tudo, relembrar e resgatar informações. Foi um processo muito gostoso. Eu participo das jornadas desde 2003 e estive em quase todas elas e acompanhei esse processo de transformação da Jornada por onde ela passou”, enfatizou Priscila Facina Monnerat, educadora agroecológica do assentamento do Contestado, na Lapa (PR).

Priscila participou da concepção de um dos artigos, intitulado “Jornadas de agroecologia: alimentando e nutrindo conexões entre campo e cidade”, o qual fala sobre a seção “Culinária da Terra” na Jornada e aborda o resgate de receitas tradicionais. “Alimentação sempre foi um tema que me chamou muito atenção, a questão de resgatar receitas tradicionais e ligadas ao processo produtivo agroecológico e agroflorestal. Mais recentemente, começamos a pensar nessa dimensão dentro da Jornada”, explica. 

Priscila é uma das autoras que participou do livro. Foto: Juliana Barbosa

“Percebemos que as pessoas saem daqui engajadas com um projeto de vida, dispostas a praticar a agroecologia concreta e real. A agroecologia emerge como um projeto de vida, ela não é só técnica, mas uma ferramenta para seguirmos realizando práticas para a melhoria da qualidade de vida e saúde”, destacou Alfio.

O livro foi lançado pela Expressão Popular e pode ser adquirido na barraca da editora no evento. A história da Jornada de Agroecologia também é tema do Túnel do Tempo deste ano”.

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