Coletivos indígenas, guardiãs e guardiões de sementes, empreendimentos da economia popular solidária e agroindústrias de várias regiões do país promovem espaço único na Jornada de Agroecologia
Foto: Murilo Pilatti
Por Karina Ernsen
A 21ª Jornada da Agroecologia reafirma seu papel como espaço de resistência, celebração cultural e construção de alternativas sustentáveis com 98 empreendimentos presentes na Feira da Agrobiodiversidade. O espaço se consolida como uma vitrine das potencialidades da agroecologia e também da luta por soberania alimentar.
De acordo com Gabriel Bonatto, da Equipe de Coordenação da Jornada de Agroecologia e vinculado à Cooperativa Central da Reforma Agrária (CCA), os empreendimentos reúnem coletivos indígenas, guardiões e guardiãs de sementes, empreendimentos da economia popular solidária e agroindústrias de várias regiões do país.
Entre os produtos comercializados estão alimentos processados como macarrão, feijão, farinha, panificados, laticínios e embutidos, todos produzidos de forma sustentável em diversas agroindústrias. Na economia solidária, o destaque vai para o artesanato, que inclui bordados, macramês, cosméticos naturais e utensílios, além da produção artesanal indígena, que traz a riqueza da cosmovisão e do modo de vida dos povos originários. “A diversidade cultural e de produtos que a jornada reúne é reflexo da organização coletiva e do respeito à natureza e aos territórios”, ressalta Bonatto.
As guardiãs e os guardiões de sementes têm um papel central na preservação da biodiversidade e na valorização da cultura alimentar. A seleção, o cultivo e a guarda de sementes crioulas são práticas que não apenas protegem a diversidade genética, mas também conectam as técnicas milenares de cultivo ao presente, favorecendo a segurança alimentar.
Fotos: Murilo Pilatti
“Esse trabalho direto com a terra e com os territórios evidencia o que entendemos como soberania: alimentar, social e cultural”, afirma Gabriel. A jornada é, portanto, um convite a repensar a relação com o consumo, o meio ambiente e a organização coletiva, mostrando que a agroecologia é um caminho concreto e necessário para a construção de um futuro sustentável.
Economia solidária
Os empreendimentos da economia solidária refletem a força das práticas solidárias e da integração entre o campo e a cidade. Para a artesã Bernadete Cosme da Silva, que também faz parte da coordenação da Feira, o espaço conecta saberes, culturas e práticas sustentáveis em prol de uma sociedade mais justa e integrada, fortalecendo as bases da economia solidária, promovendo encontros e parcerias que extrapolam o âmbito comercial.
“A Feira nos permite aprender com o campo e compartilhar práticas na cidade. Esse ano, também teremos barracas dedicadas à LIBESOL, que trabalha com saúde mental, além de espaço dedicado aos movimentos afro e indígenas”, destaca Bernadete, que também integra a Associação Feira Permanente de Curitiba e a Rede Mandala, para ela, o espaço é estratégico para promover a união de diferentes públicos.
Foto: Murilo Pilatti
Rede Mandala – Conexão entre Campo e Cidade
A integração entre campo e cidade, promovida pela Rede Mandala, é um dos pilares da Feira da Agrobiodiversidade. Criada a partir de encontros como a Jornada da Lapa, a rede busca unir produtores do campo a empreendedores urbanos em iniciativas que envolvem desde festas de semente até eventos como esta feira.
“A Rede Mandala nos mostrou que, juntos, podemos compartilhar produtos, aprender com os saberes do campo e fortalecer essa parceria tão necessária. Essa conexão é o que torna possível uma economia solidária que integra territórios e transforma vidas”, afirma Bernadete.
Foto: Murilo Pilatti
A Feira da Agrobiodiversidade funcionará até o encerramento do evento, no próximo domingo (8). Este ano a Jornada de Agroecologia conta com o patrocínio da CAIXA, Itaipu Binacional, Correios, Fundação Banco do Brasil e Governo Federal, e apoio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Desenvolvimento Social (MDA), Cooperativa de Crédito Cresol e Cooperativa Central da Reforma Agrária (CCA).
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