Instituições públicas e parlamentares reafirmam o compromisso com a Jornada de Agroecologia  

Ato realizado durante a 21ª edição do evento reuniu diversos representantes de empresas como Itaipu, Caixa e Correios.

Ato público reuniu representantes de instituições públicas apoiadoras da Jornada. Foto: Pietra Spindola

A 21ª Jornada de Agroecologia, realizada entre os dias 4 e 8 de dezembro no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, foi marcada por um grande espírito de resistência e esperança em busca da justiça ambiental. Com a presença de 250 feirantes, incluindo 60 empreendimentos de economia solidária, cooperativas da reforma agrária e 14 cooperativas da agricultura familiar, o evento destacou a importância da agroecologia como caminho para um futuro sustentável.

Pela primeira vez realizado no maior campus da UFPR, o evento contou com a presença de diversos representantes do poder público e da sociedade civil, que se pronunciaram durante um ato público no dia 6 de dezembro. 

Pró-reitora de Extensão e Cultura da UFPR, Mayara Elita Braz Carneiro. Foto: Pietra Spindola

Durante o evento, a pró-reitora de Extensão e Cultura da UFPR, Profª. Drª. Mayara Elita Braz Carneiro, destacou o papel da universidade pública como um espaço de troca de conhecimento. “É uma honra receber vocês aqui. Eu acho que até o sentimento é de emoção, é ter vocês aqui dentro da Universidade […]. Nós precisamos escutá-los para juntos tentarmos ter saídas e soluções para a ciência, para a inovação, para a pesquisa”, afirmou a professora, que participa da organização pelo terceiro ano consecutivo.

Elizandro Roberto Maciel Beneck, representante dos Correios, frisou a importância do apoio do órgão a este tipo de atividade: “Os Correios têm uma obrigação, como empresa pública, de patrocinar políticas públicas, de patrocinar eventos como esse. Tem que participar também na disseminação, a nível nacional, de programas dessa natureza”. 

Ele também expressou sua satisfação em participar da Jornada e fez um depoimento pessoal, destacando suas raízes e o valor do agricultor familiar: “Eu me sinto honrado porque eu sou filho de agricultor. Estudei em escola pública, cursei universidades federais. Então eu sei muito bem como é a luta de cada um para chegar ali, para vencer. Eu sei como é importante agricultor familiar”.

Elizandro, representante dos Correios. Foto: Pietra Spindola

Valmor Bordin, superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, abordou os desafios financeiros enfrentados pela agricultura familiar, e a importância de serem garantidos recursos para programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). 

Alexandre Faria, coordenador do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Paraná, enfatizou a urgência de políticas públicas que integrem a agroecologia às ações governamentais, especialmente diante das mudanças climáticas. “A agroecologia é uma agricultura resiliente às mudanças climáticas. O presidente Lula, ao recriar o MDA em 2023, estabeleceu como missão produzir alimentos saudáveis, e todas as políticas do MDA agora envolvem a agroecologia”, afirmou.

O evento também contou com a participação de Adriano Lima, representante da Itaipu Binacional, que destacou o compromisso da empresa com o desenvolvimento social e ambiental. “É num governo popular, como o de Lula, que é possível que empresas como a Itaipu possam direcionar recursos para ações que promovam o desenvolvimento econômico e a produção de alimentos agroecológicos”, afirmou Lima, reforçando a importância da parceria com o governo para o fortalecimento da agroecologia.


Orlando Pessutti, ex-governador do Paraná. Foto: Pietra Spindola

Orlando Pessutti, ex-governador do Paraná, relembrou sua trajetória política em defesa da agricultura sustentável. “Criamos o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) dentro do Parque de Exposições Castelo Branco, um espaço que tem sido fundamental para a promoção da agroecologia no estado”, disse Pessutti, ressaltando a importância da união de esforços entre o poder público e os movimentos sociais para garantir o fortalecimento da agricultura familiar.

Em sua fala, Roberto Baggio, da direção nacional do MST, reforçou a relevância da agroecologia como base para a transição rumo a uma agricultura mais justa e sustentável. “A agroecologia é a ciência da vida, das diversas formas de vida. O modelo dos químicos é só uma, a monocultura. Nós somos de todas elas. Vamos seguir, estruturando a agroecologia como matriz para a nossa sobrevivência”, concluiu Baggio.

Por fim, Nilton Bezerra Guedes, Superintendente do INCRA, relembrou a luta histórica pela reforma agrária e a importância da organização dos movimentos sociais. “A reforma agrária só acontece porque vocês estão organizados, porque existe o MST, porque existe essa pressão, porque faz a estrutura do poder se mexer”, destacou Nilton, ressaltando a contribuição do movimento para a criação de mais de 300 assentamentos no Paraná.

O ato também contou com a presença dos deputados estaduais Luciana Rafagnin, Ana Júlia, Renato Freitas, e federal Tadeu Veneri, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT). 


Roberto Baggio, da direção do MST. Foto: Pietra Spindola

A Jornada de Agroecologia contou com o patrocínio de grandes empresas públicas como a CAIXA, Itaipu Binacional, Correios, Fundação Banco do Brasil e o Governo Federal, e teve também o apoio de instituições como a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), a Cooperativa de Crédito Cresol e a Cooperativa Central da Reforma Agrária (CCA).

Compartilhe este artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *