Evento reúne cooperativas, agricultores familiares e coletivos da Economia Solidária na 2ª Jornada da Agroecologia

Foto: Juliana Barbosa
Por Ana Luiza Campos
A 22ª Jornada da Agroecologia do Paraná transforma Curitiba em palco de debates e trocas sobre produção sustentável de alimentos até domingo (10). O evento, organizado por movimentos sociais e instituições parceiras, em parceria com a Universidade Federal do Paraná, promove oficinas, rodas de conversa e a Feira da Agrobiodiversidade, espaço que conecta produtores rurais e consumidores em torno da agricultura agroecológica e da soberania alimentar.
No coração da Jornada, a Feira da Agrobiodiversidade reúne dezenas de expositores de cooperativas, associações e coletivos de todo o país. Os visitantes encontram, até dia 10, alimentos orgânicos e agroecológicos – como frutas, legumes e hortaliças, produtos minimamente processados (geleias, pães e massas), artesanatos, moda sustentável, incluindo brechós e roupas com tecidos ecológicos. Tudo produzido por famílias assentadas e da agricultura familiar, povos indígenas, comunidades quilombolas e iniciativas da economia solidária.
Dentre os expositores da Feira, Lucas Teixeira Moreira Lima, 34 anos, coordenador da Concentra (Cooperativa Camponesa Central de Minas Gerais), representa o trabalho de 150 famílias, de nove cooperativas mineiras. Com orgulho, ele apresenta um dos carros-chefes da produção: o café agroecológico, cultivado sem agrotóxicos em sistemas que preservam a vegetação nativa. A barraca também oferece produtos artesanais, polpas de frutas e doces típicos da região.
Foto: Jamin Borges
Jovana Cestille, do Assentamento Eli Vive (Londrina), e Eduardo Rodrigues Ferreira, do Assentamento Olga Benário (Santa Tereza do Oeste), exemplificam como a produção agroecológica alimenta não apenas as feiras, mas também as escolas públicas. Através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), parte de sua produção orgânica – como tomates, frutas nativas e massas nutritivas – chega à merenda de estudantes da rede municipal de educação. “No mundo que a gente vive hoje, agroecologia é uma necessidade”, afirma Eduardo, enquanto exibe seu macarrão colorido, enriquecido com 30% de legumes orgânicos.
Um dos destaques institucionais é o Programa Paraná Mais Orgânico, iniciativa pioneira que reúne agricultores orgânicos ou em transição agroecológica ou já certificados, com apoio da TECPAR. Lizana dos Santos, zootecnista e bolsista do programa, explica: “Nosso programa faz parte do esforço do estado do Paraná para que até 2030 toda merenda escolar do Paraná seja orgânica”. Na feira, o Programa apresenta uma variedade impressionante: morangos sem agrotóxicos, cítricas doces e abóboras crioulas em miniatura, mostrando que diversidade e qualidade podem andar juntas.
Foto: Jasmin Borges
A criatividade e a inovação marcam presença no estande do Coletivo Quintal de Urutau, de Matinhos. Otto Brasileiro, estudante de agroecologia de 23 anos, representa o grupo que transforma matérias primas da Mata Atlântica em kombuchas (bebida fermentada), couros vegetais e artesanatos únicos – de cadernos ilustrados a velas de cera de abelha nativa, além de crochês e cerâmicas feitas com argilas naturais. “Acreditamos na economia colaborativa e solidária”, diz Otto.
Foto: Jasmin Borges
A Feira ainda reserva espaços especiais para artesanatos indígenas e quilombolas, em que colares de sementes, cestarias e instrumentos tradicionais dialogam com a riqueza dos povos originários e ancestrais paranaenses. É ainda possível entrar em contato com as sementes crioulas preservadas e resgatadas por guardiões de sementes crioulas, com variedades de milho, feijão e arroz que carregam séculos de história e adaptação climática.
Além da Feira, a Jornada da Agroecologia oferece uma programação intensa até dia 10, com debates, oficinas, rodas de conversa e atividades culturais.
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Foto: Lia Biachini



