Seminário na 22ª Jornada de Agroecologia promoveu trocas entre jovens do campo e da cidade
Por Gustavo Sousa. Coletivo de comunicação da 22ª Jornada de Agroecologia
O seminário “Juventudes e agroecologia no enfrentamento à emergência climática”, realizado por jovens de coletivos rurais e urbanos no dia 09 e parte da programação da 22ª Jornada de Agroecologia do Paraná, teve por objetivo pensar a agroecologia como caminho para combater a crise climática e preservar o futuro.
Organizado pelo Núcleo de Extensão e Pesquisa em Direito Socioambiental (EKOA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Levante Popular da Juventude, Mandato do Deputado Estadual Goura (PDT) e Comunidade Agrofloresta José Lutzenberger (MST), a conversa vem como forma de construir um debate plural, com a promoção de diálogos entre juventudes do campo, da cidade, das florestas e das águas. A roda de conversa iniciou com os destaques das mudanças climáticas no cenário mundial. A partir de dados, os condutores da discussão afirmaram que as ações tomadas no passado resultaram na crise enfrentada atualmente.
Para convidar as pessoas a participarem da conversa, os jovens dos coletivos escreveram cartazes, com frases como “destruir o sistema, não o clima” e “somos o presente”, e se encaminharam até o espaço denominado Café “Aqui se respira lucha”, na feira da Jornada. De lá, seguiram em uma marcha regada a música, pelo campus da UFPR até a sala na qual se realizou o seminário.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2023, o Brasil conta com cerca de 48,5 milhões de jovens, na faixa entre 15 e 29 anos de idade. João César, 17, integrante do Levante Popular da Juventude, defende que ainda falta conscientização ambiental para que a juventude entenda o que é a agroecologia. “A agroecologia não é só sobre alimentos. Ela também tem haver com convivência, com harmonia e tudo que deixa a vida mais leve”, afirma.
O debate se apresenta como um preparatório para a Conferência Mundial do Clima, a COP-30, a ser realizada no mês de novembro, em Belém (PA). De acordo com os organizadores do seminário, a discussão é uma oportunidade para ouvir o que as vozes do futuro têm a dizer e entender as demandas desse público em relação aos impactos da emergência climática no Brasil.
Segundo Ricardo Volpi, morador da comunidade José Lutzenberger, a troca de conhecimentos entre os jovens de diferentes espaços é necessária. “A gente vê que em outros territórios, tanto no campo, quanto na cidade, os jovens estão realizando atividades para essa mudança necessária. E para a gente é muito prazeroso se reconhecer e se olhar, pra seguirmos discutindo no futuro”, concluiu Ricardo.
Ao fim das discussões, os participantes foram envolvidos em um canto coletivo, ressaltando ainda mais a união entre as juventudes de diversas origens, e apontaram ações que pudessem enfrentar os impactos da crise.
“A gente quer política pública, quer acesso a infraestrutura para plantar e renda para poder ter acesso a alimentos sem veneno”, destaca Maria Fontolan, integrante do EKOA. A estudante ressalta que a agroecologia é apresentada como uma proposta de modo de vida que proporciona saúde e também fortalece a cultura.
Das reflexões extraídas do seminário, surge o manifesto das juventudes. Com o título “O amanhã não vai chegar se não o construírmos hoje”, o texto simboliza o reforço da união entre os coletivos ali presentes, reivindicando pautas como o fim da violência, a igualdade, a revolução fundiária e cultural, o fim do uso de agrotóxicos, alimentação saudável, entre outros. “Não somos promessa de futuro distante, vivemos e resistimos no presente, porque talvez o amanhã não exista se não o construirmos agora”, ressalta a carta.
Confira o manifesto completo aqui: Manifesto das Juventudes
O seminário foi realizado no campus Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no sábado (9). A 22ª Jornada de Agroecologia aconteceu entre os dias 6 a 10 de agosto. O evento reuniu pessoas de diversas regiões do Paraná e do Brasil, para discutir formas de melhorar e ampliar a agroecologia no país. Entre conferências, oficinas, atividades culturais e feira de agrobiodiversidade, o encontro proporcionou um espaço de diálogo entre diferentes gerações da zona rural e urbana.



