Jovens do campo e da cidade escreveram o texto em conjunto como resultado de seminário realizado na 22ª Jornada de Agroecologia

As juventudes utilizaram o seminário “Juventudes e agroecologia no combate à crise climática” para discutir vivências e futuro. Foto: Diangela Menegazzi.
A 22ª Jornada de Agroecologia promoveu o encontro de pessoas de todo o Paraná, entre os dias 6 a 10 de agosto, no Centro Politécnico da UFPR. Entre o público, se destacam os jovens presentes no evento, marcando a presença das novas gerações nas discussões sobre agroecologia, meio ambiente e crise climática.
Como uma iniciativa do público jovem, coletivos de diversos municípios do estado promoveram o seminário “Juventudes e agroecologia no enfrentamento à crise climática”. Das discussões promovidas no encontro, surge o Manifesto das Juventudes, com o título: “O Amanhã Não Vai Chegar se Não o Construirmos Hoje”.
Na carta, são reivindicados os direitos da juventude como a população do agora, que já habita o planeta e continuará por muito tempo. “Não somos promessa de futuro distante, vivemos e resistimos no presente, porque talvez o amanhã não exista se não o construirmos agora”, aponta o documento ao citar as vivências diversas de quem vêm do campo, da cidade e da floresta.
Os participantes do encontro indicam estar se fazendo presentes em diversos espaços de discussão. No manifesto, ressaltam a importância de se organizar em coletivos, espaços acadêmicos e nas comunidades. A juventude está reivindicando seus direitos e suas narrativas para si e para os que ainda virão, “Planejamos, plantamos e colhemos com consciência, abrindo caminhos para que outros também possam seguir.”
Em tempos de urgência, a carta traz demandas como: o fim do capitalismo, da violência no campo e na cidade e do uso de agrotóxicos; revolução fundiária e cultural; financiamento para projetos; alimentação saudável e a promoção da equidade. Além disso, temas como a libertação da Palestina e a soberania nacional também aparecem no manifesto.

Cartazes foram utilizados pelas juventudes em marcha na 22ª Jornada de Agroecologia. Foto: Diangela Menegazzi.
Para esses jovens, é necessário haver mudanças no sistema atual de organização da sociedade e abrir caminho para que os mais novos ocupem espaços importantes de decisão. A geração da juventude vive no agora e busca construir um futuro mais saudável e justo para todos. “Queremos existir sendo quem somos, sem pedir permissão para isso”, finaliza o Manifesto das Juventudes.
Leia o texto completo aqui:
O Amanhã Não Vai Chegar se Não o Construirmos Hoje
Nós, juventude dos campos, cidades e das florestas, estudantes, pesquisadores e seres plurais, nos reconhecemos como o agora. Não somos promessa de futuro distante, vivemos e resistimos no presente, porque talvez o amanhã não exista se não o construirmos agora. Somos feitos de pautas e vivências diversas, unidos pela urgência de transformar o mundo. Somos amor, divergência e a expressão viva da cultura. Sabemos onde estamos e temos clareza de onde queremos chegar.
Estamos ocupando espaços, reivindicando direitos, disputando narrativas e produzindo vida em todas as frentes. Aprendemos e ensinamos, preservando e compartilhando nossas tradições. Ressignificamos o que precisa ser mudado, organizados em coletivos, universidades e comunidades. Levamos o conhecimento acadêmico de volta para as bases, produzimos ciência popular, praticamos medicina ancestral, cultivamos comida sem veneno e acessível. Planejamos, plantamos e colhemos com consciência, abrindo caminhos para que outros também possam seguir.
Não falamos de sonhos distantes, falamos de urgências. Queremos o fim do capitalismo, mesmo sabendo que cada um de nós carrega suas próprias bandeiras e lutas. Queremos encerrar ciclos de violência no campo e nas cidades, alcançar a igualdade, promover revolução fundiária e cultural, garantir editais de fomento, acabar com o uso de agrotóxicos, assegurar alimentação saudável e promover a equidade. Defendemos a libertação da Palestina, a soberania nacional, o fim dos desertos verdes e o direito de plantar e colher nosso próprio alimento. Lutamos contra a fome, o imperialismo e o liberalismo.
Queremos justiça reprodutiva, educação de qualidade, emancipação humana, dignidade, respeito e floresta de pé. Queremos existir sendo quem somos, sem pedir permissão para isso. Nós, as juventudes vivemos e construímos o agora, para que o amanhã, se vier, seja livre, justo e nosso.



