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Trabalho jornalístico contribui na luta por demarcações no Paraná

Um trabalho voluntário com o intuito de contribuir com a luta pelo direito a terra e cultura dos povos indígenas no Paraná. Assim pode ser descrito o documentário “Sem tekohá não há teko”, produzido por jornalistas no Oeste do Paraná. O curta-metragem será exibido na segunda-feira (11/7), às 19 horas, na Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), campus de Cascavel. Aberta ao público, a exibição é organizada pela Comissão de Terras Guarani do Oeste do Paraná e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) e contará com uma roda de conversa com participantes da produção e lideranças de aldeias do município de Santa Helena. A jornalista Kethleen Simony explica que o trabalho surgiu de visitas em comunidades indígenas a convite do indigenista e professor da Unioeste, Paulo Porto Borges. “Fomos conhecer as aldeias “Lugar de gente alegre” e “Dois irmãos”, em abril de 2015. Conversamos com as lideranças indígenas, em Santa Helena e voltamos pra Cascavel cheios de inspiração para fazer a função primeira do jornalismo, a social”. Kethleen recorda da produção do documentário. “O repórter cinematográfico Ivancley Carneiro abraçou a ideia, junto do editor de imagens (que atuou como cinegrafista), Bruno Limberger. Foram dois dias de gravações, em junho e setembro. Fins de semana em que as folgas do trabalho, do dia a dia, coincidiam. A jornalista Lila Lima acompanhou cada detalhe, e foi apoio a todo tempo. A doutora e também amiga, Alba Feldman, veio de Maringá conhecer as aldeias e dar sua contribuição valiosa”. A expectativa da jornalista é que o trabalho voluntário contribua na divulgação da luta pelas demarcações de terras tradicionais no Oeste do Paraná. “Nossa principal torcida é que as demarcações se concretizem e que mais pessoas tenham oportunidade de aprender com os Guarani e sobre a sua cultura. Uma rica oportunidade […]

Homenageado pelo agronegócio, Temer diz que aplicará “medidas impopulares”

O presidente em exercício Michel Temer disse nesta segunda-feira (4) que não teme propor medidas impopulares “se forem para melhorar o país”. “As pessoas me perguntam: Você não teme propor medidas impopulares? Não. O meu objetivo não é eleitoral. Se eu ficar mais dois anos e meio e conseguir colocar o Brasil nos trilhos, para mim basta. Não quero mais nada da vida pública”, declarou. Pouco antes, o presidente interino minimizou e defendeu o aumento salarial ao funcionalismo aprovado na Câmara e que custará R$ 58 bilhões e que pode afetar a meta fiscal deste ano, de déficit de R$ 170 bilhões. “Se não fizéssemos aquele acordo em níveis abaixo da inflação, corríamos o risco de ter greve nos setores essenciais, uma coisa politicamente muito desastrosa para o país”, disse. Temer participou de um evento organizado pelo agronegócio chamado Global Agrobusiness Fórum, em São Paulo. Ao falar de algumas medidas que quer tomar, citou exemplos como desvinculação das receitas orçamentárias, a modificação da meta fiscal, a proposta limitadora de gastos (que terá também os estados incluídos) e a renegociação das dívidas dos governos estaduais. Apesar de chamar os programas sociais de “essenciais”, Temer disse que “ter lucro não é pecado” e que “para recuperar o emprego, é preciso que a indústria cresça, o agronegócio cresça, o comércio cresça”. O interino recebeu em mãos um manifesto de apoio da elite brasileira e disse que irá “enquadrar” e deixar o documento na parede. A carta é assinada por 45 entidades, entre elas a CNA (Confederação Nacional da Agricultura). “Eu vou colocar esse acordo em um quadro no meu gabinete. É uma coisa importantíssima para nós”, disse Temer. O evento contou com a presença do ministro da Agricultura, Blairo Maggi e dos governadores Geraldo Alckmin (São Paulo) e Pedro Taques (Mato Grosso), além […]

Oito são presos por armazenamento e descarte ilegal de agrotóxicos no RS

A Comissão Permanente de Fiscalização e Controle do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos apresentou, nesta terça-feira (5), os resultados finais da Operação Integrada de Fiscalização (OIF), que resultou na prisão de oito pessoas numa ação realizada entre os dias 27 de junho e 1º de julho no Rio Grande do Sul. De acordo com o promotor de justiça Daniel Martini, a operação teve como objetivo dissuadir o uso irregular dos agrotóxicos e coibir o seu contrabando. “As ações realizadas pelo fórum apresentaram resultados expressivos. Por termos uma fronteira seca, é muito comum a entrada ilegal de agrotóxicos de outros estados e países vizinhos”, explicou. Além das oito pessoas presas em flagrante por armazenamento irregular e descarte ilegal de agrotóxicos, gerando mais de R$ 100 mil em pagamentos de fiança, foram lavrados 46 autos de infração, registradas 29 notificações e apreendidas armas e munições. Uma aeronave também foi apreendida e 21 suspensas ou interditadas, de um total de 52 inspecionadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A operação aconteceu em 12 municípios: Restinga Seca, São Vicente do sul, Rosário do Sul, Cachoeira do Sul, Cruz Alta, Dilermando de Aguiar, Jari, Mata, São Gabriel, Santa Maria, São Pedro do Sul e São Sepé. Irregularidades Esta foi a quarta ação realizada no âmbito da comissão e teve o envolvimento da Anac, Ibama, Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fepam), Laboratório de Análise de Resíduos de Agrotóxicos (Larp-UFSM), Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do RS (MPRS), Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Civil (Dema/PC-RS), e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). Dentre as irregularidades encontradas pelas equipes nas empresas, cooperativas e propriedades agrícolas fiscalizadas destacam-se o uso irregular de agrotóxicos, produtos irregulares ou vencidos, embalagens de agrotóxicos vazias descartadas no ambiente, queima […]

Vandana Shiva: Batalha das Sementes e as ameaças da Monsanto contra a Natureza

O 22 de maio foi declarado Dia Internacional da Biodiversidade pela ONU. Isso oferece oportunidade de tomar consciência da rica biodiversidade desenvolvida por nossos agricultores, como cocriadores junto à natureza. Também permite tomar conhecimento das ameaças que as monoculturas e os monopólios de Direitos de Propriedade representam para nossa biodiversidade e nossos direitos. Assim como nossos Vedas e Upanishads [os textos sagrados do hinduísmo] não possuem autores individuais, nossa rica biodiversidade, que inclui as sementes, desenvolveu-se cumulativamente. Tais sementes são a herança comum das comunidades agrícolas que as lavraram coletivamente. Estive recentemente com tribos da Índia Central, que desenvolveram milhares de variedades de arroz para o seu festival de “Akti”. Akti é uma celebração do convívio entre a semente e o solo, e do compartilhamento da semente como dever sagrado para com a Terra e a comunidade. Além de aprender sobre as sementes com as mulheres e os camponeses, tive a honra de participar e contribuir com leis nacionais e internacionais sobre biodiversidade. Trabalhei junto ao governo indiano nos preparativos para a Cúpula da Terra Rio-92, quando a Convenção sobre Biodivesidade da ONU (CBD) foi adotada pela comunidade internacional. Os três compromissos-chave da CBD são a proteção dos direitos soberanos dos países sobre sua biodiversidade, do conhecimento tradicional das comunidades, e da biossegurança, no contexto de alimentos geneticamente modificados. A ONU indicou-me para integrar o painel de especialistas encarregado de pensar o protocolo de biossegurança, adotado como Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Fui indicada como membro do grupo de especialistas que desenhou a Lei Nacional sobre Biodiversidade, assim como a Lei sobre Variedade de Plantas e Direitos dos Agricultores, na Índia. Em nossas leis, garantimos o reconhecimento dos direitos dos agricultores. “Um agricultor deve ser considerado capaz de conservar, usar, semear, ressemear, trocar, compartilhar ou vender seus produtos agrícolas, incluindo […]

Opinião: O golpe ruralista e o preço do feijão

Na última semana, fomos bombardeados pelas notícias sobre a alta no preço do feijão. O povo, chocado em ver o quilo passando de R$10, ouviu as mais diversas explicações dos analistas: geada e muita chuva no sul, falta de chuva em outras regiões, e até o boato de que uma pequena doação para Cuba feita em outubro de 2015 teria sido a causa da escassez. A solução mágica apresentada pelo ministro interino da agricultura, o Rei da Soja, foi zerar a taxa de importação para facilitar a entrada de feijão estrangeiro. O que estranhamente não saiu em lugar nenhum foi um elemento muito simples: o agronegócio brasileiro não se preocupa em produzir alimentos para o Brasil. E isso fica muito claro quando olhamos a mudança na utilização das terras no país. Nos últimos 25 anos, houve uma diminuição profunda na área destinada à plantação dos alimentos básicos do nosso cardápio. A área de produção de arroz reduziu 44% (quase metade a menos), e a mandioca recuou 20%. A área plantada com feijão, o vilão do momento, diminuiu 36% desde 1990, enquanto a população aumentou 41%. Apesar de ter havido um aumento na produtividade, a diminuição da área deixa a colheita mais vulnerável e suscetível a variações como estamos vendo agora. E o agronegócio? Os grandes latifundiários do Brasil, aliados aos políticos da bancada ruralista, à multinacionais de agrotóxicos e sementes como Bayer, Monsanto e Basf, e às empresas que dominam a comunicação no país não estão preocupadas com a alimentação da população. Este atores compõem o chamado agronegócio, que domina a produção agrícola no Brasil, e vê o campo apenas como local para aumentar suas riquezas. Isso significa, na prática, produzir soja e milho para alimentar gado na Europa e na China, enquanto precisamos recorrer à importação de arroz, feijão […]