Cooperativa da reforma agrária alia desenvolvimento e produção orgânica

Na 18ª Jornada de agroecologia podem ser encontrados diversos produtos orgânicos frutos do trabalho nas cooperativas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Texto: Rita Hilachuk – Cobertura Universitária da 18ª Jornada de Agroecologia
Fotos: Heloisa Nichele

É no assentamento Santa Maria, na cidade de Paranacity (PR), que são produzidos o melado orgânico e a cachaça Camponeses comercializados na 18ª Jornada de Agroecologia, que acontece em Curitiba até o dia 1º de setembro. Os produtos – todos agroecológicos, sem veneno – são fruto do trabalho coletivo organizado na Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi).

Aos 33 anos, Daniela Bernadete Calza é uma das mulheres que está à frente da cooperativa na produção e administração. “As mulheres são maioria”, conta. Elas são 27 entre as 50 pessoas que gerem o empreendimento. “Debatemos bastante a atuação da mulher dentro da cooperativa. Compartilhamos que a ideia da cooperativa nos possibilitou autonomia”, comenta Daniela, que também é coordenadora de Sustento Familiar e Pecuária Leiteira da Copavi.

Ao todo, 73 pessoas do assentamento fazem parte da cooperativa. “Temos 45 pessoas com até 30 anos. Esse número grande de jovens não é comum no campo. Acreditamos que o acesso ao trabalho, a remuneração deste, possível pela organização coletiva através da Copavi, possibilita isso”, explica Daniela.

A Copavi está dividida em setores que cuidam do sustento familiar dentro do assentamento e da administração de recursos. “Na Copavi a gente beneficia o açúcar, o melado e a cachaça. No mesmo setor alimentício temos a pecuária leiteira, que se destina à produção de leite para as famílias e para o comércio local, onde entregamos leite empacotado e o iogurte; também temos a panificadora. Inclusive, nós temos um refeitório comunitário que produz para todas as famílias”, conta.

Dentro do assentamento, os moradores intercalam a produção da cana-de-açúcar com a de verduras, feijão, mandioca, gergelim e frutas. Por ano, são vendidos 75 mil litros de leite, 300 toneladas de açúcar mascavo, 18 toneladas de legumes e verduras e cerca de 8 toneladas de panificados.

A cooperativa é organizada de maneira a garantir a produção para o consumo e venda de alimentos agroecológicos para a merenda 31 escolas e em 23 cidades.

“Tivemos um avanço muito grande a partir da produção orgânica. Uma coisa que às vezes não é contabilizada é a saúde dos trabalhadores, a recuperação dos solos e o meio ambiente. O nosso alimento, por ser orgânico, agrega bastante valor. E precisamos também valorizar o nosso esforço de construir a agroecologia”, enfatiza a produtora.

Os produtos da Copavi podem ser encontrados na Feira da Agrobiodiversidade Camponesa e Popular da 18ª Jornada de Agroecologia, na Praça Santos Andrade, até às 16h do dia 1º de setembro.



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