Educação do e no campo é tema de seminário na 19ª Jornada de Agroecologia

Por Geani Paula / Assesoar

Na manhã desta quinta-feira (23), a Articulação Paranaense por uma Educação do Campo realizou a “Plenária Educação do e no Campo: Histórias de lutas e reivindicações do presente. Direito nosso Dever do Estado”, no auditório Eny Caldera, durante a 19a Jornada de Agroecologia, no campus Rebouças da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.

A atividade reuniu mais de 60 pessoas, entre elas, professores de universidades e de escolas do campo e da cidade, estudantes e representantes de organizações diversas. Foram debatidos e denunciados ataques ao direito à educação do campo, das águas e das florestas no Paraná.

Foto: Leandro Taques

Estiveram presentes na plenária, e compuseram a mesa de abertura o defensor público e coordenador do Núcleo de Infância e Juventude da Defensoria Pública do Estado do Paraná, Fernando Redede, a representante do Coletivo Estadual de Educação Quilombola, Djankaw Kilombola, a representante da APP sindicato, Vanda Bandeira, a professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sônia Fátima Schwendler, o representante da Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assesoar), Lucas Daniel Felizardo, e o representante do setor de Educação do MST, Jones Fernando.

Para a professora Sônia Fátima Schwendler, o espaço é muito importante para a luta pela educação do campo, e também poder estar nos espaços da universidade. “Essa universidade aqui é de todos, ela deve ser de todos e nós temos que lutar para que ela seja de todos, porque ela não se faz de todos sem a gente ter uma luta, e a gente vem aprendendo isso nesses anos na luta da educação do campo”.

Para o defensor público Fernando Redede, a temática da educação é muito importante dentro da defensoria pública, e é uma temática central para este ano e para o próximo. “A educação do campo, a educação para os povos e comunidades tradicionais, a segurança dos estudantes nas escolas, o acesso à educação nas universidades, uma série de questões”, explica ele.

Foto: Leandro Taques

“Um dos trabalhos na defensoria é aprimorar essa forma dialógica para que a comunicação na comunidade, a comunicação lá do grupo escolar, possa chegar aos órgãos de educação, possam ser recebidas, possam ser conhecidas, possam ter uma resposta, positiva ou negativa, porque vejo que isso é inadmissível que uma demanda chegue no estado e se quer uma resposta não tenha”, enfatiza Redede.

O espaço também trouxe a representatividade da educação Quilombola, com a representante do Coletivo Estadual de Educação Quilombola, Djankaw Kilombola, da comunidade Paiol da Telha, única comunidade parcialmente titulada no estado do Paraná, e trouxe as questões de representações dos territórios no estado.

“A questão dos territórios também está ligada à questão da escola, pois se a gente não tem território não tem escola, então todas as coisas estão conectadas, território e escola e conhecimento como ser sociais”.

Durante o seminário, a Articulação Paranaense organizou um documento com reivindicações das escolas do campo, indígenas e quilombolas sobre a realidade dos espaços, na questão do transporte escolar, alimentação, material didático, ameaças de fechamento de turmas e turnos, entre outros temas que afetam as escolas, que foi entregue ao diretor geral da Secretaria da Educação e do Esporte do Paraná (SEED).

Lançamento do livro Educação no contexto da pandemia de Covid-19

Durante o seminário, foi realizado o lançamento do livro “Educação no contexto da Pandemia de Covid-19: Escolas, atividades e condições de realização do trabalho pedagógico no campo do estado do Paraná”, organizado pela Articulação Paranaense. A publicação traz relatos de dez regiões do estado, com fotos, quadros e gráficos da situação das escolas. Foram mais de oito meses de trabalho coletivo, com mais de 90 pesquisadores que cobriram quase 90% do território paranaense.

O material será subsídio para o trabalho de base e diálogo nos municípios do Paraná, e pode ser acessado neste link.  

Nos últimos anos, a Articulação Paranaense realizou e consolidou processos de formação, e defesa contra o fechamento de escolas, turnos e turmas, através da Campanha Escola é Vida na Comunidade.

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